Não vai passar xarope, doutor?

Xaropes que combatem a tosse não são recomendados, em especial no tratamento de infecções de via aérea superior. A justificativa é simples: a tosse auxilia na limpeza das secreções do trato respiratório, e suprimi-la pode resultar na retenção de muco e aumentar o risco de obstrução das vias aéreas.

É indiscutível que durante momentos de crise de tosse pode haver piora do sono da criança, do rendimento escolar, e ainda de suas habilidades para brincar. Então o que há para fazer para ajudar a criança com tosse?

A hidratação adequada é o primeiro passo, uma criança desidratada sofre mais com a tosse.

Oferecer sopas também pode auxiliar, em especial a canja, um prato que por si só pode oferecer tudo o que um indivíduo precisa para combater um resfriado, desde líquido, carboidratos presentes no arroz, até as proteínas da carne de frango.

E finalmente, o mel. O uso está indicado para crianças maiores que 1 ano, frente ao risco de botulismo, e pode ser oferecido na quantidade de 2,5 a 5,0ml para melhorar a crise de tosse durante um quadro de resfriado, sendo indicado pela Organização Mundial de Saúde e Academia Americana de Pediatria.

O mel foi o foco de alguns estudos científicos para avaliar sua eficácia e os resultados demonstraram uma melhora na freqüência da tosse, gravidade e irritabilidade das crianças que fizeram seu uso. Além disso, há uma revisão sobre o uso do mel para tosse, realizada em 2014 pelo renomadíssimo grupo Cochrane apontando benefícios de seu uso. Essa revisão pode ser acessada em inglês aqui.

Resumindo, as vovós tinham razão: melhor do que qualquer xarope, tomar água, uma sopa quente, e um pouco de mel podem melhorar a noite de uma criança resfriada e com tosse.

Dr. Thiago Olivetti Artioli CRM-SP 163850

A Homeopatia e a Criança.

O número de pais que optam por métodos alternativos para o tratamento de seus filhos é  bastante grande. Todavia, poucos buscam informações, mesmo que básicas, sobre a prática a que estarão submetendo suas crianças.

A Homeopatia é uma dessas escolhas, sendo extremamente popular no Brasil.

Esta é um sistema de tratamento médico inventado no século 18, que se baseia em dois princípios:

  • A lei dos semelhantes
  • A lei das diluições

De acordo com a lei dos semelhantes, uma substância que causasse um sintoma em uma pessoa saudável é usado para tratar a mesma condição em uma pessoa doente.

Como um exemplo grosseiro, um extrato de plantas que causasse alguma coceira, poderia tratar uma alergia.

Apenas com essa informação é possível pensar que a quantidade de reações adversas com o uso de substâncias homeopáticas deveria ser elevadíssimo, mas sabemos que não é isso que ocorre.

A segurança da Homeopatia é atribuída à sua segunda lei, das diluições, segundo a qual quanto mais diluído é o remédio, mais forte ele fica. Os Médicos Homeopatas acreditam que as substâncias diluídas contêm energia ou informação que é utilizada pelo organismo para curar seus sintomas.

A crítica a essa prática fica na contra-mão lógica de que tais substâncias são tão diluídas que não causariam efeito algum no paciente, mas que incita um efeito placebo, no qual o sistema psico-neuro-imunológico acaba sendo afetado de certa maneira.

Para a Pediatria, a Homeopatia deve ser tratada como uma terapia complementar, e pode ser discutida abertamente com os pais. Uma abordagem bem estruturada permite uma ótima relação médico paciente, em especial no entendimento dos valores e crenças da família da criança.

A terapia convencional sempre deve ser oferecida e discutida como primeira opção, indiscutivelmente.

Toda prática alternativa e complementar precisa ser conversada entre o médico e a família, em especial no que diz respeito a segurança e eficácia frente a enfermidade a ser tratada.

Dr. Thiago Olivetti Artioli CRM-SP 163850